Seja bem vindo !
CULTS E RARIDADES MUSICAIS
UM SITE DIRECIONADO A QUEM PROCURA DICAS E INFORMAÇÕES SOBRE MÚSICAS E LANÇAMENTOS EM CD DE GRUPOS E/OU INTÉRPRETES CONSIDERADOS "CULTS" OU ELITISTAS E DE ALTÍSSIMA QUALIDADE, EM TODAS AS ÁREAS DA MÚSICA POPULAR: ROCK ALTERNATIVO(INDIE), INDIE LO-FI, JAZZ, BOSSA NOVA, MÚSICA ELETRÔNICA, R&B, WORLD MUSIC, ETC...
Tradutor do Google
CURTA nossa pĂĄgina no Facebook

TOP 10

     " Clique abaixo na mĂșsica
      escolhida para escutĂĄ-la "

DISCOS DO MÊS

SHOWS

ALTA FIDELIDADE

TELEGRÁFICAS URGENTES

HALL OF FAME

ARTES E CINEMA

BIOGRAFIAS

FILOSOFIA, POLÍTICA, SAÚDE & OUTRAS CIÊNCIAS

POESIAS PESSOAIS

OUTRAS RESENHAS

NEW AGE

ARTES & CINEMA
08/07/2016

DocumentĂĄrio de Amy Berg sobre a vida de JANIS JOPLIN

LITTLE GIRL BLUE


LITTLE GIRL BLUE

 

 

 

 

 

 

No começo dos anos 1940, a passagem de Orson Welles pelo Brasil fez história. Ele veio realizar aqui parte de seu documentário “Its all true”. A obra permaneceu inacabada, mas o mito de Welles e de “Its all true” repercutiu no cinema brasileiro. Virou obsessão do “maldito” Rogério Sganzerla na fase final de sua carreira. Quase 30 anos depois, a passagem de Janis Joplin pelo país também causou “frisson”, embora talvez não tenha tido o mesmo significado para a cultura brasileira. Janis nadou pelada na piscina do Copacabana Palace, participou dos desfiles das escolas de samba, jogou-se nas areias de Copacabana com os seios à mostra e os pelos das axilas à vista de todo o mundo. Vestida como uma mendiga, ou pelo menos assim parecia, foi barrada numa boate da Zona Sul.

 

Tudo isso sempre fez parte da lenda e o cantor Serguei esculpiu a dele, parte pelo menos, gabando-se de suas performances sexuais com a estrela da contracultura. Talvez seja preciso revisar tudo isso a partir da estreia do oscarizado documentário de Amy Berg , “Janis – Little girl blue  (Pobre garota triste)”. Mais do que a grande artista que cantou a crise de toda uma geração e viveu e morreu pelo excesso, o filme resgata a mulher.

 

Quando veio ao Brasil, Janis dependente química, estava em pleno processo de reabilitação. Aqui se perdeu de vez. Morreu de overdose, em 1970, aos 27 anos.  O filme reconstitui sua passagem pela Bahia e pelo Rio de Janeiro. Confirma histórias, mas omite Serguei. Nem sinal dele nas imagens e entrevistas reunidas pela diretora.

 

“Little girtl blue” chega aos cinemas brasileiros na trilha de Amy , que ganhou o Oscar de documentário em março. Críticos musicais importantes já fizeram comparações entre Amy Winehouse e Janis Joplin. O jeito visceral de cantar, o namoro com a música negra, as garotas que se perderam na radicalidade e morreram cedo. Amy não poupava o pai da cantora, que teria empurrado a filha na carreira, em busca do lucro. Despreparada para o mundo que adentrou, ela se desestruturou. Psicologia barata? Polêmicas à parte, “Amy” de Asif Kapadia, é muito bom e mereceu o Oscar.

 

Amy Berg tenta expressar a artista pela mulher. Janis tinha problemas de autoestima, sofreu “bullying” na infância, era uma carente que necessitava desesperadamente de amor. Não pense que ela fingia visceralidade, intensidade e sofrimento ao cantar daquele jeito. Tudo vinha de dentro. Amy Berg em seu documentário omite Serguei  porque no Brasil Janis encontrou um gringo, David Niehaus. Viveu com ele sua última grande história de amor, drogas e rocknroll. Niehaus acompanhou-a durante alguns meses. Abandonou-a, segundo declarou mais tarde, porque não aguentava segui-la no vício e ela voltou às drogas pesadas. Janis, de sua parte, reclamava. Dizia que era apenas mais um aproveitador.

 

Janis Lyn Joplin nasceu em Port Arthur, em 1943 e morreu em Los Angeles, cerca de oito meses após a viagem ao Brasil. Sobre ela você só encontra superlativos: a maior cantora de rock dos anos 1960, a maior intérprete de bues e soul da sua geração. Lançou apenas quatro discos de estúdio, e o último, “Pearl”, surgiu postumamente. Morreu de overdose de heroína, ao que tudo indica . combinada com o efeito do álcool. Em vida, já era um ícone da contracultura. Morta, o mito não parou mais de crescer. Inspirou o filme “A Rosa” de Mark Rydell, com Bette Midler, em 1979. Sua morte ocorreu apenas algumas semanas – nem foram meses – após a do guitarrista Jimi Hendrix, outro ícone da época. A Janis drogada e sofredora não é novidade. O novo, no documentário de Amy Berg, é o retrato que ela faz de uma feminista divertida e inteligente. Pena que fosse tão vulnerável. Foi o que acabou com ela.

 

 

Luís Carlos Merten  - é um jornalista e crítico de cinema brasileiro

Artigo publicado no Jornal “Estado de S. Paulo”  em 08/07/2016

 

 

 







45 post(s) encontrado(s)

[1] [2] [3] [PrĂłxima]


REDE SOCIAL


CURTA nossa pĂĄgina no Facebook    

NAVEGAÇÃO

CONTATO

 

PAULO MONTEIRO

(11) 98664-8381

(48) 9629-4000

cultseraridades@gmail.com