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24/09/2016

Biografia do Escritor e Humanista

Thomas Mann


Thomas Mann

 

 

 

 

 

Paul Thomas Mann (Lübeck, 1875 — Zurique,  1955) foi um escritor alemão.

 

Tendo recebido o Nobel de Literatura de 1929, é considerado um dos maiores romancistas do século XX. Irmão mais novo do também romancista Heinrich Mann, Thomas Mann teve seis filhos: o escritor Klaus, a atriz Erika, o historiador Golo Mann, a ensaísta Monika Mann, o violinista e literato Michael Thomas Mann e a cientista Elisabeth Mann.

 

Filho do comerciante Johann Heinrich Mann e da brasileira Júlia da Silva Bruhns, nasceu no estado de Schleswig-Holstein, norte da Alemanha, onde mais de 90% da população é protestante. A família de Thomas Mann detinha ali um negócio havia várias gerações.

 

Em 1892 (aos 17 anos de idade) morreu o seu pai e, como consequência, os negócios da família foram abandonados. No ano seguinte, escreveu alguns textos em prosa e artigos para a revista "Der Frühlingssturm" (a tempestade de primavera) da qual Thomas era co-editor. Na mesma época, apaixona-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores. Anos mais tarde, inspirar-se-ia em Timppe para criar Pribslav Hippe, personagem de A Montanha Mágica.

 

Resultado de imagem para pensamentos de thomas mannApesar de seus evidentes desejos homossexuais, tendo inclusive alimentado também uma paixão por Paul Ehrenberg, um amor conturbado e não correspondido, mas que definiria mais tarde como a "experiência central de seu coração". Mann apaixonou-se por Katia Pringsheim, filha de uma rica família industrial, judia secular, com quem se casou em 1905. Mais tarde, ela se juntou à luterana fé de seu marido. O casal teve seis filhos: o escritor Klaus, a atriz Erika, o historiador Golo Mann, a ensaísta Monika Mann, o violinista e literato Michael Thomas Mann e a cientista Elisabeth Mann.

 

É a partir de Os Buddenbrook (1901) que se torna um dos escritores mais notáveis do século XX no plano internacional.

 

Em 1911, concebeu a novela Morte em Veneza, durante uma estada no Lido de Veneza. A obra foi publicada no ano seguinte, 1912, e, embora menos diretamente autobiográfica que Os Buddenbrooks, “trata-se da obra mais confessional de Thomas Mann”

 

Resultado de imagem para pensamentos de thomas mannEm 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, recebendo o Nobel de Literatura. O júri justifica-se aludindo ao livro “Os Buddenbrook”, um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck ao longo de três gerações, fortemente inspirado na história de sua própria família,. Nenhuma menção a A Montanha Mágica (1924), talvez sua maior obra-prima, romance em que o escritor revela simpatias democráticas e um retrato de uma Europa em ebulição, no eclodir da Primeira Guerra Mundial

 

Thomas Mann é também um romancista analítico, que descreve como poucos a tensão entre o carácter nórdico, protestante, frio e ascético (características típicas da sua Lübeck natal) e as personagens mais rústicas, simples, bonacheironas, das regiões católicas, de onde se destaca o senhor "Permaneder", o paradigma do bávaro de Munique, em "Os Buddenbrook". Esta tensão interior tornou-se patente durante a sua estada em Palestrina, Itália, quando visitava o irmão, e onde começou a escrever "Os Buddenbrook". Thomas Mann viveu entre estes dois mundos, tal como o irmão. Por um lado a origem familiar e o ambiente da ética protestante de Lübeck, por outro lado a voz interior e a influência de sua mãe brasileira, que o faziam interessar-se menos pelos negócios e mais pela literatura. A influência da mãe acabou por levar a melhor.

 

Sua descendência de uma família da alta burguesia sempre fora salientada por Mann. Ao falar dessa classe, o autor se refere à burguesia da Idade Média, à “antiga tradição de que se sente profundamente imbuído, tradição de trabalho leal e minucioso, visando a perfeição absoluta nos detalhes e no todo”

 

Resultado de imagem para thomas mann doutor faustoOutro de seus livros basilares é o soberbo “Doutor Fausto” de 1947. Thomas Mann foi um herdeiro tardio da tradição idealista e romântica alemã e um dos principais autores modernos. Era um clássico em tempos de revolução e conseguia refletir de forma original e particular o espírito de seu tempo. Sua obra apresenta descrições minuciosas e um realismo psicológico e preciso, com análise exata de cada particularidade. A obra de Mann é uma expressão estética do esforço de contrapor seus dois valores essenciais: de um lado a sociedade, o senso comum, o valor da vida; do outro a alienação, o individualismo, o escapismo romântico, o jogo estético, que culminam na doença e na morte. Sente-se, no entanto, ligado ao segundo valor, sendo ele um artista “alienado, marginal e estetizante” 

 

Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, Suíça, em 1933, o ano da chegada ao poder de Hitler. Durante o regime nazista, o jornal Völkischer Beobachter (Observador Popular) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.

 

Após ter perdido a nacionalidade alemã, em 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. Inicialmente, trabalha como convidado em Princeton, mas o ambiente académico o entediava. Decidiu então mudar para Pacific Palisades, Estados Unidos, em 1941. Em 1944, obteve a cidadania estadunidense. Tornou-se uma figura política reconhecida, constando que Franklin D. Roosevelt chegou a cotar seu nome para assumir o governo alemão na pós-guerra. Para Roosevelt, Thomas Mann era a encarnação viva da “civilização europeia” e o último representante do Humanismo Clássico, conhecido por todos os seus amigos e admiradores como o Presidente da República Espiritual.

 

 

“Os valores Humanistas Clássicos, cujas fontes filosófico-políticas se encontram em Sócrates e Platão, privilegiam a vida do espírito. Implicam em uma confiança fundamental nos poderes, sempre imperfeitos mas incessantemente defendidos, do espírito humano para enfrentar não apenas o sofrimento pessoal – Mann é um cronista mágico da doença – mas também o pulsar recorrente da barbárie na História” (George Steiner)

 

 

Para Thomas Mann, nenhum pensamento político está em posição de resolver as questões fundamentais da vida. Somente a educação liberal e humanista, a ética, a religião e a arte nos podem guiar nessa demanda. Premonitoriamente, ele afirma que os novos tempos só conduzirão a mais nivelamento, vulgarização e estupidificação Não haverá neles lugar para o crescimento interior, a educação liberal e ao respeito: pelo divino, pela terra, pelos seres humanos nossos semelhantes e, portanto, pela nossa própria dignidade.

 

Diante da perseguição aos intelectuais emigrados perpetrada durante o mccarthismo, Mann retornou à Europa em 1952. Viveu em Kilchberg, próximo de Zurique, na Suíça, até a sua morte, em 1955. Esse grande homem, encontra-se sepultado em Kilchberg Village Cemetery, Kilchberg, Zurique na Suíça.

 

 

 

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