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11/09/2016

Artigo de B. Alan Wallace, o físico que foi monge budista

CULTIVANDO O EQUILÍBRIO EMOCIONAL


CULTIVANDO O EQUILÍBRIO EMOCIONAL

 

 

 

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Allan Wallace: o cientista da consciência

 

"É difícil meditar quando se tem fome", diz Alan Wallace, o físico que foi monge. 

 

 

 

 

 

 

Alan Wallace tem uma característica especial que o diferencia dos seus pares na área da física e da neurobiologia: foi durante 20 anos um monge budista, morou em Dharamsala, na Índia, traduziu mais de 30 livros do tibetano para o inglês, estudou com os mais altos mestres do Tibete e ainda ocupou o posto de intérprete oficial de sua santidade, o Dalai-Lama. Ele busca conexões filosóficas e científicas entre as formas de pensar no Oriente e no Ocidente. Hoje, novamente como cientista e físico e autor de quarto importantes livros sobre ciência e práticas contemplativas, Wallace comanda um verdadeiro exército de neurocientistas, antropólogos, sociólogos e psicólogos no Instituto Santa Bárbara de Estudos da Consciência, na Califórnia. 

 

Ele busca conexões filosóficas e científicas entre as formas de pensar no Oriente e no Ocidente. É dele o texto que reproduzo abaixo:

 

 

Tenho certeza de que todas as pessoas têm interesse em ter uma mente clara, em ter bem-estar mental e bem-estar emocional. E a implicação deste título é que equilíbrio é a chave para o bem-estar mental e emocional. Portanto, como iremos cultivar isso?

 

Acho que todos nós sabemos pela nossa própria experiência, que nossas mentes podem ser nossas piores inimigas, podem nos deixar loucos! Se nos sentarmos em nossos quartos em silêncio, sem nenhum estímulo do ambiente podemos nos tornar verdadeiramente infelizes. Apenas devido à ruminação, aos pensamentos que vêm às nossas mentes, sendo apanhados e aprisionados nas garras do que os psicólogos chamam de ruminação. Em outras palavras, sabemos que podemos nos tornar infelizes sozinhos, sem nenhuma ajuda externa.

 

E muitas se não todas as pessoas sabem que também é possível permanecer sentado quieto em seus aposentos, quieto em sua caverna, quieto em lugar sereno na natureza, com pouco ou nenhum estímulo do ambiente, e ter a sensação de estar verdadeiramente bem, feliz. E você olha à sua volta e pensa “o quê está me fazendo feliz?” e… você não consegue encontrar nada do lado de fora.

 

Essa sensação de bem-estar está vindo de dentro. E então, todos nós devemos ser “Sherlock Holmes” agora. Rastrear isso até sua fonte. É um trabalho interno! Algumas vezes, podemos ter uma elucidação mais clara sobre o que está havendo em nossa experiência subjetiva observando a própria experiência subjetiva buscando uma explicação psicológica. Então, sugiro que a atenção é a chave. Uma pessoa que pode controlar sua atenção pode ter controle sobre o tipo de realidade que tem a sensação de estar experimentando e vivenciando. Afinal, como William James, um grande pioneiro da psicologia moderna, afirmou:

 

“A cada momento, aquilo a que prestamos atenção é a realidade”

 

 

Levamos a sério e consideramos real apenas aquilo a que estamos atentos. Então, quando nossa mente está tomada por uma hiperatividade da atenção seja clinicamente diagnosticada ou não acho que todos nós temos ideia de como é. Quando a mente se parece a um trem desgovernado como um elefante no cio, segundo a grande e clássica metáfora indiana, podemos sentir uma aflição enorme.

 

Em especial quando essa ruminação, este fluxo obsessivo e compulsivo de pensamentos é negativo: Insistir em infortúnios do passado, no mal comportamento de outras pessoas, negatividades de um tipo ou de outro nos aprisiona e subjuga. Nós realmente nos tornamos vítimas de nossas próprias mentes.

 

Portanto, se estamos buscando o equilíbrio mental, equilíbrio emocional, enquanto nossa mente ainda estiver propensa a tal ruminação negativa, em tal hiperatividade da atenção, com uma mente que está realmente fora de controle e que por consequência como que nos arrasta, enquanto somos propensos a isso ou na medida em que somos propensos a isso, o equilíbrio mental e emocional será um ideal inalcançável.

 

Se pensar em si mesmo como sendo um cérebro e em todos os problemas psicológicos como sendo cerebrais, você chegará a conclusão de que a forma de tratá-los é apenas dizer sim a alguma droga. Ainda que as drogas psicofarmacêuticas possam ser valiosas, penso que é uma limitação paralisante pensar que esta seja a única forma. Se estivermos realmente buscando equilíbrio mental, equilíbrio emocional como penso que todos nós estamos, ou ao menos bem-estar como podemos treinar esta besta selvagem, a atenção? Trazer equilíbrio a ela. Para que quando desejarmos ficar quietos, tenhamos essa opção. Quando desejarmos ter um fluxo livre de pensamentos, sonhar acordados, tenhamos essa opção. Bem como pensar criativamente, analiticamente, pensar sobre o passado e antecipar o futuro, tenhamos essa opção. E quando quisermos apenas ficar quietos, atentos, receptivos conversando com uma criança, um amigo, sua esposa, numa reunião de negócios, educação, etc apenas desejar ficar totalmente em silêncio, não quero dizer ficar aéreo, quero dizer presente, com discernimento apenas assimilando a realidade ao invés de insistir em dialogar o tempo todo. Como?

 

Não basta querer algo. Você precisa conhecer suas causas — as circunstâncias e condições que precisam se encontrar para que você realize o que deseja.

 

Se for um bolo de chocolate, você pode sentar o dia inteiro rezando “Que bolos de chocolate caiam do céu! Que eles se materializem no forno!” Provavelmente não dará certo. Mas se você aprende como fazer um bolo de chocolate, aí sim, você tem o desejo, a aspiração, a intenção, os ingredientes e então terá seu bolo de chocolate.

 

Portanto, por que esse processo seria diferente para a felicidade genuína? E por que seria diferente para ganhar uma liberdade cada vez maior do sofrimento, mais serenidade, paz interior, equilíbrio da mente?”

 

— B. Alan Wallace

 

 

Texto  tirado   do  site 

 

http://www.budavirtual.com.br







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