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27/04/2017

Artigo de Eduardo Giannetti

Crise da Ecologia Psíquica


Crise da Ecologia Psíquica

 

 

 

 

 

 

 

 

O mundo é infinitamente complexo. Todo ato, por mais simples, extrapola em muito a intenção de quem o pratica; ao acender uma lâmpada ou abrir a torneira, por exemplo, eu não só gero o efeito local pretendido, mas aciono uma vasta e intrincada cadeia de eventos cujas ramificações se alastram, para a frente e para trás, numa miríade de outros efeitos e desdobramentos. A crise ecológica é o resultado conjunto – imprevisto e indesejado – de uma infinidade de ações motivadas por escolhas e desejos que, na sua origem, nada têm a ver com o problema criado: a fumaça tóxica das usinas chinesas movidas a carvão russo ilegalmente produzido torna-se a chuva ácida e o câncer pulmonar dos coreanos; os gases emitidos por carros americanos movidos a petróleo venezuelano aceleram o derretimento das geleiras groenlandesas que provoca a elevação do nível dos oceanos. A interdependência dos fenômenos ecológicos ignora as convenções da geopolítica.

 

 

A conjectura de uma crise da ecologia psíquica é a tese de que a degradação do mundo natural que nos cerca tem um correlato em nosso mundo interno.

 

 

 

“Desejo sem ação gera pestilência”. O psiquismo arcaico do animal humano – uma herança, como o nosso corpo, do ambiente evolutivo da espécie – não aceita de bom grado as exigências e interdições da vida civilizada. Assim como o metabolismo entre sociedade e natureza no mundo moderno produziu a crise ambiental, de igual modo a nossa natureza interna vem sofrendo as conseqüências inadvertidas de uma civilização em guerra com as pulsões instintivas e indomadas da mente e calcada no ideal da “desanimalização” da humanidade. A crise da energia psíquica é fruto da severidade instintual imposta por um processo civilizatório agressivamente calculista e cerebral: uma forma de vida em que a convenção, o artifício e a hipocrisia permeiam os vínculos erótico-afetivos enquanto a competição feroz, a ansiedade e a ambição irrestrita dominam o mundo da produção e consumo.

 

Mas, se é verdade que algo nas profundezas da alma humana – no nosso mais remoto psiquismo – está sendo agredido e aviltado pelo processo civilizatório, quais seriam as conseqüências disso? Seria precipitado alegar que a conjectura tem uma base empírica conclusiva, mas alguns fatos relevantes sugerem que algo semelhante possa estar de fato ocorrendo.

 

Nos países de alta renda per capita, uma em cada cinco pessoas em idade de trabalho sofre de algum tipo de distúrbio mental a cada ano, sendo aproximadamente 25% delas acometidas por quadros severos, como esquizofrenia e transtorno bipolar, e o restante por doenças menos debilitadoras, como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e transtorno de déficit de atenção (diagnosticado em cerca de 17% dos meninos estadunidenses até dez anos, contra menos de 5% no resto do mundo). Entre a população abaixo de setenta anos, a soma dos anos de vida perdidos por morte prematura e invalidez (disability-adjusted life years)causada por doenças mentais atinge 17,4 anos contra 15,9 para o câncer e 14,8 para moléstias cardiovasculares. Os suicídios superam as mortes causadas por acidentes em estradas nos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.

 

“Nas sociedades ocidentais”, resume um estudo recente, “a depressão e a ansiedade são responsáveis por mais infelicidade [misery] do que as doenças físicas e por muito mais infelicidade do que a oriunda da pobreza e do desemprego”. As irrupções recorrentes de atos violentos praticados sem motivação aparente e a explosão da demanda por drogas legais e ilegais – antidepressivos (consumidos por cerca de 10% dos estadunidenses), ansiolíticos, soníferos, narcóticos, estimulantes e substâncias psicoativas – são outras tantas evidências de que o mundo moderno possivelmente padece de uma degradação do ambiente psicossocial análoga à devastação do ambiente físico.

 

A encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco – uma bela e bem-vinda contribuição da Igreja Católica à causa ambiental – enuncia com exemplar clareza a conjectura da crise da ecologia psíquica: “os desertos externos estão aumentando no mundo por que os desertos internos se tornaram tão vastos”.

 

É pena, todavia, que a Encíclica não se digne a analisar – ou sequer admitir – a contribuição milionária de 21 séculos de Cristianismo, pautados pela mais cerrada e sistemática negação de realidades e pulsões naturais de todo ser humano, na produção dos desertos internos e externos que tomam conta do mundo.

 

 

 

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