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27/05/2017

Artigo de Luiz Felipe Pondé

A ÉTICA DAS VIRTUDES


A ÉTICA DAS VIRTUDES

 

 

 

 

 

 

 

 

A função da educação é identificar nos alunos suas diferenças e colocá-las a serviço da sociedade. Os melhores lideram, os médios e medíocres seguem. Qualquer professor sabe disso numa sala de aula. Uma das maiores besteiras em educação é dizer que todos os alunos são iguais em capacidade de produzir e receber conhecimento.

A chamada Ética das Virtudes de Aristóteles pressupõe que a prática das virtudes é como tocar um instrumento musical: quanto mais se pratica, mais virtuoso se fica. A antipatia que esta forma de ética ganhou depois do século XVIII (ainda que haja uma tendência contemporânea em recuperá-la) deve-se à recusa da sensibilidade democrática em reconhecer que nem todos são capazes de desenvolver um caráter forte. A maioria tende à covardia e à fraqueza. Desculpar a falta de força de caráter da maioria transformou-se em fato comum numa certa filosofia “revolucionária”, depois da politização da Ética na esteira de Rousseau e Marx – ou da ideologização de tudo, como quando se culpa o capitalismo por tudo de mal no mundo. Basicamente, o mundo sempre foi mau e continuará a ser, porque ele é fruto do comportamento humano, que parece ter certos pressupostos naturais.

Para os defensores do politicamente correto, tudo é justificado quando diz que você é pobre, gay, negro, índio, ou seja, algumas das vítimas sociais do mundo contemporâneo. Não se trata de dizer que não há sofrimento na história de tais grupos, mas sim dos exageros do politicamente correto em querer fazer deles os proprietários do monopólio do sofrimento e da capacidade de salvar o mundo. O mundo não tem salvação.

No Renascimento, outro filósofo, Maquiavel, volta ao tema da virtude, ainda que de forma diferente. Para o filósofo de Florença, alguns homens têm “virtú” (virtude) enquanto a maioria não. E o que é a “virtú”?

“Virtú” é uma qualidade de caráter de alguns homens que os faz mais fortes e capazes de resolver problemas e enfrentar as dificuldades colocadas pelo dia a dia. Maquievel, evidentemente, pensa no líder político, mas podemos ampliar sua análise para além da Política. A observação do comportamento humano e da experiência histórica parece mostrar que não é a maioria dos homens que tem “virtú”, a maioria é banal, como sempre.

Outra coisa que o politicamente correto detesta numa posição como a maquiaveliana é seu desprezo por qualquer forma de idealização do ser humano. Para o filósofo de Florença, a natureza humana, talvez devido ao pavor diante dos efeitos avassaladores da fortuna, é sempre fraca, mentirosa, volúvel, infiel e interesseira. Em outras palavras, sofre de agonia por precariedade.

 

 

 

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Luiz Felipe Pondé (Extraído do livro “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”)







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