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POESIAS PESSOAIS
06/07/2015

Poema de Cesare Pavese (1908 - 1950)

MANIA DA SOLIDÃO


MANIA DA SOLIDÃO

 

 

 

 

Mania da Solidão

 

Como um jantar frugal junto à clara janela, 
Na sala já está escuro mas ainda se vê o céu. 
Se saísse, as ruas tranquilas deixar-me-iam 
ao fim de pouco tempo em pleno campo. 
Como e observo o céu — quem sabe quantas mulheres 
estão a comer a esta hora — o meu corpo está tranquilo; 
o trabalho atordoa o meu corpo e também as mulheres. 
 


Lá fora, depois do jantar, as estrelas virão tocar 
a terra na ancha planura. As estrelas são vivas, 
mas não valem estas cerejas que como sozinho. 
Vejo o céu, mas sei que entre os tectos de ferrugem 
brilha já alguma luz e que, por baixo, há ruídos. 
Um grande golo e o meu corpo saboreia a vida 
das árvores e dos rios e sente-se desprendido de tudo. 
Basta um pouco de silêncio e as coisas imobilizam-se 
no seu verdadeiro sítio, como o meu corpo imóvel. 
 


Cada coisa está isolada ante os meus sentidos, 
que a aceita impassível: um cicio de silêncio. 
Cada coisa na escuridão posso sabê-la, 
como sei que o meu sangue circula nas veias. 
A planura é água que escorre entre a erva, 
um jantar de todas as coisas. Cada planta e cada pedra 
vivem imóveis. Escuto os alimentos e eles alimentam-me as veias 
com todas as coisas que vivem nesta planura. 
 


A noite importa pouco. O rectângulo de céu 
sussurra-me todos os fragores e uma estrela miúda 
debate-se no vazio, longe dos alimentos, 
das casas, distinta. Não se basta a si mesma 
e precisa de muitas companheiras. Aqui no escuro, sozinho, 
o meu corpo está tranquilo e sente-se soberano. 
 


Cesare Pavese, in Trabalhar Cansa 
Tradução de Carlos Leite 






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