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21/10/2016

Artigo de Paulo Monteiro

Ensaio sobre pontos de vista opostos, tanto em Geopolítica, quanto em Ideologia Econômica.


Ensaio sobre pontos de vista opostos, tanto em Geopolítica, quanto em Ideologia Econômica.

 

 

 

 

Chocado com o apoio a Donald Trump, que manifestei em recente “post” no   www.cultseraridades.com   um amigo, português e assumidamente esquerdista, manteve comigo uma correspondência na qual expressou, com inegável  acerto eu diria até, sua indignação pela minha escolha por um candidato tão desprezível, no ponto de vista dele, quanto o atual candidato republicano americano. No entanto, essa troca de “mails”, foi algo que me permitiu esclarecer e aprofundar alguns pontos que defendo, tanto em ideologias econômicas, quanto em Política Internacional. Acredito que, pela  objetividade de ambos os  pontos de vista apresentados, possa ser interessante divulgar o conteúdo público dessas ideias, não só pela confusão que pode ainda subsistir na cabeça de algumas pessoas, pelo fato de um luso- brasileiro e latino, como eu, declarar apoio a alguém com uma postura inegavelmente xenófoba, radical e preconceituosa, como é o ex-marido da extravagante Ivana Trump, como também por mostrar com bastante clareza alguns pontos fundamentais que opõem ideologias e posições ideológicas contrárias.

 

Como expliquei a “Z”, o amigo com quem me correspondi sobre o tema, meu apoio a esse magnata, no mínimo polêmico, é tudo menos pessoal. Se no lugar dele estivesse, por exemplo, o Topo Gígio,  meu voto seria para o simpático ratinho. Na verdade, trata-se de uma escolha essencialmente contra o continuísmo que representa uma eventual vitória da candidata democrata, Hillary Clinton, e suas consequências para o mundo. O meu voto é para quem quer que seja que se proponha a reconduzir os Estados Unidos a uma postura forte, como promete o atual “slogan” de Trump: “Make America Great Again”  (Fazer uma América forte novamente).

 

Isso, porque acredito que o Mundo Ocidental e seus valores tão arduamente conquistados estejam sendo colocados em cheque pelas muitas forças contrárias à Liberdade e à Democracia que vêm se aproveitando, tanto da fragilidade política dos países da Comunidade Europeia - uma Babel ideológica fraturada e enfraquecida pelas dificuldades que atravessa para se manter forte e coesa, já em si tradicionalmente fragmentada pela dissensão entre países que até bem poucos anos atrás guerreavam entre si, pela disparidade cada vez maior entre os países mais ricos e os mais pobres do bloco, pela disputa de influência entre os dois países mais influentes, a Alemanha e a França, pelo Brexit e pela grave problemática trazida pela maciça imigração islâmica para dentro de suas fronteiras - quanto da postura inadequada e débil da atual Política Internacional dos EUA, sob a orientação dos Democratas de Obama. Uma conjuntura que avalio como sendo bastante preocupante, pela atual fragilidade das duas potências (EUA e CEE) que poderiam e deveriam carregar a defesa de tais valores, para avançar e ganhar posições importantíssimas no xadrez geopolítico internacional, ou pelo menos para não cederem espaços vitais às forças contrárias.

 

E perante a gravidade (uma gravidade que ofusca qualquer outro detalhe) que representa o inegável avanço desses Blocos não democráticos, acredito  firmemente que seria vital voltar a fortalecer os Estados Unidos, sem dúvida o bastião mais eficaz na defesa desses valores, até pela sua coesão como Nação única, extirpando urgentemente e a qualquer custo, o câncer que mina e ameaça perigosamente as defesas ocidentais.

 

Em outra conjuntura, nutriria mais simpatia pelos Democratas, até pela maior sintonia com os valores que defendem nos States, mas perante a gravidade da situação geopolítica, na conjuntura atual, lamentavelmente e bastante constrangido, diga-se de passagem, não vejo nenhuma alternativa, senão apoiar Trump.

 

Meu amigo “Z” também se opôs à divisão geopolítica que fiz do mundo e manifestou seu desprezo pelos Estados Unidos e por Israel, dizendo o seguinte:

 

A - “Quanto à Política e aquilo que dizes, vejo as coisas de outra forma, numa equação mais simples. Para mim não distingo Blocos – disto, ou daquilo, seja ele Ocidental, Russo, Asiático, Islâmico, Boliviano, etc.

Existem sim, civilizações, umas mais coincidentes nos seus valores, como a Europa, EUA, Rússia, América Latina e a Ásia, outras menos, onde por razões de ordem, sobretudo, religiosa, os tais valores, princípios e até direitos (como o das mulheres, por exemplo), como sucede nas sociedades muçulmanas, diferem substancialmente daquilo que as outras comunidades internacionais pensam e acreditam.

Para terminar, insisto na negação dos Blocos, que não passam de artimanhas do Capital e da Direita Neoliberal para dividir e para reinar.”

 

B - “Quanto aos EUA, quanto mais fortes forem, ou continuarem a ser, pior para o resto do Mundo. Existe hoje um claro desequilíbrio em nível de influência política e força militar, que não é desejável. A arrogância dos EUA ultrapassou, há muito, as marcas da tolerância. Não só porque praticam uma séria de atos prepotentes (Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Nato, Mar da China, FMI, Mercados/controle financeiro mundial, dualidade quanto aos Direitos Humanos, atuação das suas multinacionais, no Ambiente, enfim, a lista é longa, para já nem falar no apoio a essa pústula, que é Israel).

 

Como te disse, os americanos tiveram a possibilidade de escolher Bernie Sanders contra Trump – e estou convencido que lhe ganharia. Agora, com a Hillary, enfeudada a Wall Street, provavelmente Trump ganhará. Embora defenda os mesmos interesses obscuros do pior do Capital, que Clinton. Só que de maneira diferente. Mais agressiva e impiedosa. Ou seja, os EUA no seu pior. Oxalá um dia implodam! Festejaria.”

 

 

 

C - “E hoje, Israel é um Estado criminoso e imperialista, que pratica crimes de guerra, sem qualquer punição (nem sequer da ONU!) e com o apoio vergonhoso dessa potência imperial, os EUA, um país que fecha os olhos a todo o tipo de crimes deste gênero, que apoia regimes facínoras como a Arábia Saudita, que financiou e suportou regimes proto-fascistas na América Latina (onde se inclui o Chile criminoso de Pinochet, dos generais argentinos, do Haiti, mais tarde, e de tantos outros, entre os quais as ditaduras do Brasil), que largou duas bombas atômicas, em Hiroshima e Nagasaki, matando, intencionalmente, civis inocentes, crianças, mulheres e idosos, que cometeu todo o tipo de atrocidades no Sudeste asiático (no Vietname, sobretudo) e que hoje mantêm uma dualidade de critérios no que respeita aos direitos humanos. E cujas multinacionais e bancos acorrentam nações e povos, explorando-os, manipulando-lhes as economias, sugando-lhes os recursos, boicotando-os politicamente, ameaçando-os militarmente, destruindo o meio-ambiente, etc. Desde Lincoln (e este também não grande flor que se cheirasse) que é difícil encontrar um Presidente norte-americano que não deixasse de violar, umas vezes mais, outras menos, direitos internacionais, que não ameaçasse nações, que não deixasse de tentar de controlar outros países economicamente. Não gosto dos EUA, nem da sua política, quer interna, quer, sobretudo, externa. E tenho um profundo desprezo por Israel, face à política de agressão e genocídio praticada por ele na Palestina.”

 

 

Contra-argumentei da seguinte forma:

 

 

 Resultado de imagem para liberalismo x socialismo

 

 

 

“Embora não discorde de ti, quando afirmas que acreditas que existam, primordialmente, civilizações mais coincidentes nos seus valores, como a Europa Ocidental, ou o Mundo Islâmico, por exemplo, negar a existência de Blocos Geopolíticos que se alinham ou se confrontam aberta ou veladamente, como consequência de tais “coincidências”, seria enclausurar-se apenas no campo imaculado das ideias utópicas, que não têm sustentação na prática do dia a dia, já que a existência de um xadrez geopolítico global é algo transparente, tangível e inegável, como bem o provam os inúmeros conflitos ideológicos travados em nome dessas rivalidades e diferenças: a Guerra Fria e seus atuais prolongamentos, os conflitos Sino-Soviéticos, o Conflito que separa Israel do Mundo Árabe e o imediato alinhamento das potências rivais em posições contrárias (obviamente), a criação do Unasul/Foro de S. Paulo bolivarianista, como ponta de lança para sustentação da influência cubano/soviético em pleno quintal de influência americana, etc... etc... etc...

 

Agora o  “bixo” pega mesmo, como dizemos no Brasil, quando atacas apenas os EUA e Israel. Estaria tudo muito bem  e poderia até concordar contigo em condenar todos os “atos prepotentes” que citas por parte dos States e de Israel, se por acaso tivesses tido a isenção de mencionar os mesmíssimos “atos prepotentes” , e até piores, praticados pela antiga União Soviética, pela atual Rússia e seus “apêndices” fortemente armados, como Cuba,  pela China e até pelo Irã e pelo Estado Islâmico, adversários dos dois países que citas. Esses dois últimos em menor escala, apenas devido a seu menor poder ofensivo bélico e financeiro (e rezando – mas não só, escrevendo artigos que alertam para esse perigo como o de agora – para que assim continue), mas também inegavelmente culpados nessa lista de “atos prepotentes” que apenas atribuis aos States e a Israel, mas que certamente teriam um efeito infinitamente mais destruidor sobre o futuro e a sobrevivência da Humanidade se por acaso esses dois países de cultura islâmica tivessem o poderio econômico, financeiro e bélico que só a América possui. E é em nome da manutenção dessa condição que eu luto.

 

Então, no meu ponto de vista, o desequilíbrio que está havendo é o causado pelo enfraquecimento dos Estados Unidos, graças à postura inadequada da Política Exterior do governo democrata de Obama. “Make America Great Again”, como prega o mentecapto do Trump, como tu o denominas, porque meu amigo “Z”, o desarmamento só poderá começar a existir enquanto as forças não-democráticas e totalitárias tiverem um respeito inicial pela postura das forças que se lhes opõem: os países democratas e que defendem a Liberdade, encabeçados pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental. Na verdade, em meu ponto de vista, não haveria grandes riscos para o resto do mundo se o desequilíbrio de poder que citas existisse entre países igualmente democráticos que sustentassem posições opostas, como por exemplo se hipoteticamente isso ocorresse entre os EUA e a Europa Ocidental, mas manter uma postura enfraquecida (o que não significa de forma alguma assumir uma postura beligerante, em contrapartida) perante países ditadoriais e não-democráticos pode ser letal para a manutenção de valores que nos são imensamente caros. Muito menos ainda nas relações com países que, além disso, são teocráticos e retrógrados.

 

Continuando, já que insistes na negação dos Blocos, que, no teu entender, “não passam de artimanhas do Capital e da Direita Neoliberal para dividir e para reinar”, que nome darias então, só pra ficarmos no momentoso exemplo da Síria, às movimentações bélicas de forte apoio da Rússia ao tirano sangrento, Bashar Al-Assad? Idem, com relação ao Irã? Não seriam, em contrapartida “artimanhas dos países contrários ao Capital e à Direita Neo-Liberal para dividir e para reinar”, apenas para usar a tua terminologia?

 

Também num exemplo atual, que nome darias à forte ocupação militar cubana na Venezuela (sabidamente uma ponta de lança russa no quintal de influência americano), apoiando os ditadores “petroleiros” Chavez e Maduro, como base para estender a influência comunista dos Castros (e por extensão dos russos) a toda a América do Sul e Latina, via Unasul/Foro de S. Paulo? Seria por acaso, em teu entender, uma manifestação de solidariedade do Governo Ditadorial Cubano que visa manter a Política de Direitos Humanos e o apoio às minorias e aos oprimidos pela sociedade, em solo latino-americano? É para rir ou é para chorar?

 

E, num passado mais recente, como português que és, creio ser impossível que ignores o apoio bélico e financeiro efetivo dado pelos soviéticos e pelos chineses à Frelimo moçambicana e ao MPLA em Angola? Teriam sido apoios logísticos humanitários, em favor dos “pobrezinhos” africanos? É para rir ou é para chorar? 

 

Como citas apenas a intervenção americana, como ignorar a longa e sangrenta intervenção imperialista soviética no Afeganistão? Como citas a intervenção americana no Vietnam, como chamarias ao apoio chinês e russo ao antigo governo de Hanói? Retrocedendo um pouco mais no tempo, como explicarias o confronto que desembocou na Guerra da Coreia? O apoio americano então seria imperialista. OK, podemos  até não discordar!  E quanto ao apoio dos Russos dos Chineses? E o apoio dos Cubanos e dos demais países que se alinham contra os Estados Unidos e seus aliados (Bloco Ocidental, à falta de um nome melhor que queiras providenciar, já que recusas a denominação de Blocos), o que seria? No caso dos adversários dos Estados Unidos, tratar-se-ia então de um apoio idealístico a angelicais causas humanitárias? É para rir ou é para chorar? 

 

E ficamos por aqui, para não continuarmos uma enumeração exaustiva e por demais conhecida das movimentações de forças, tão imperialistas quanto os States, que se alinham e que ao longo dos últimos 100 anos, mais ou menos, se têm alinhado contínua e quase que metodicamente contrárias aos interesses do Bloco Ocidental, bloco do qual fazes parte por herança e nascimento, quer queiras ou não, nunca é demais repetir.

 

Querer negar a existência de todo esse xadrez geopolítico de forças, ou blocos, que se alinham ou se confrontam conforme os valores e interesses que defendem, apenas para atacar os Estados Unidos e Israel, como se os dois fossem os únicos personagens desse teatro macabro de dominação e poder, convenhamos, trata-se de convenientes “parcialismo” e maniqueísmo e o nome disso em bom português é antiamericanismo.

 

Por isso, sem querer jamais arvorar-me em paladino defensor das duas nações que desprezas, nem cair na cegueira de negar seus erros e desacertos, gostaria apenas de pedir-te que tentasses ser um tantinho mais justo e condescendente e que pesasses também o lado positivo de ambas as nações, pois não te imagino um maniqueísta radical e tenho certeza que, como homem viajado que és, deves conhecer suficientemente bem e  “in loco”, tanto os EUA, quanto Israel e certamente deves ter observado nesses países imensos pontos positivos, provavelmente até a grande maioria, se tais pontos forem confrontados com os de outros países.

 

Por outro lado, como não citaste nenhum modelo prático de país que admiras ou defendas, não tenho como contrapor nenhuma crítica abalizada mais direcionada e precisa. No entanto, tenho absoluta certeza que, a qualquer que seja esse modelo prático que tanto admiras, tanto eu quanto qualquer reles compêndio de História, por mais parcial que queira ser, poderíamos apontar centenas de pecados infinitamente mais graves, nocivos e pesados do que aqueles que – provavelmente acertadamente – apontas às duas nações alvo do teu desprezo. Sejamos justos e coerentes, para não atirarmos pedras no quintal do vizinho quando nosso telhado de vidro deixa escancarar um panorama extremamente mais desalentador.

 

 

Dessa forma, com todas as imperfeições que lhe possam ser imputadas, apoio e apoiarei sempre o Bloco Ocidental, e os países alinhados com tais valores, pois foi essa a minha formação, que me ensinou a amar os seus valores e é a razão pela qual já fiz minha escolha – quiçá há muitas vidas - claríssima e também extremamente pragmática. Aceito TODAS as críticas consistentes, verídicas, lógicas e cabíveis que possam ser feitas aos países do bloco ocidental (e isso inclui, além dos Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Grã-Bretanha, o Canadá, apenas para citar os mais influentes, e, num passado mais longínquo, os Países Baixos, a Espanha e Portugal)! Mas, dentro dessa lógica, não vejo muito sentido em ficarmos enxergando e apontando com parcialidade apenas os eventuais erros de países aliados e deixando de realçar os muitos acertos dos que se alinham aos nossos valores, apenas por discordarmos de alguns aspectos que podem até ser importantes em muitos outros contextos, mas se tornam menos relevantes ante a gravidade do momento político que atravessamos, pois apenas contribuem para minar a defesa de valores que tão arduamente conquistamos e fazem o jogo dos blocos adversários, contrários a tais valores,sobretudo Liberdade e Democracia.Em suma, não passa de um tiro no próprio pé!

 

É mais ou menos como o ente amado: amamos e aderimos a quem amamos, não apenas pelas suas virtudes, mas também com todas as suas imperfeições, o que não significa, absolutamente, que os apoiemos em seus erros.

 

Aliás, se há uma grande vantagem que possa admirar nos países que seguiram ou seguem a ideologia que admiras é que, por serem ditaduras avessas à democracia, têm extrema facilidade e a absoluta necessidade (caso contrário não subsistiriam) de rejeitar e “abafar” (tu deves saber bem melhor do que eu de que forma) qualquer opinião discordante, coisa que nos países democráticos, além de se constituir num exercício por demais trabalhoso, torna-se um imenso e angustiante obstáculo.

 

O Mundo, sem exceções, ainda é um palco extremamente precário, nojento, cruel e horroroso, de interesses e ambições contrárias e, certamente, ainda teremos um longo ciclo evolutivo a ser cumprido até que todas as diferenças e conflitos sejam solucionados pelo diálogo, pelo bom senso, pelo uso da racionalidade e da espiritualidade – em seu sentido mais abrangente – e, em última instância pelo Amor. Até lá, resta-nos fazer as opções que julgamos mais acertadas e menos sofridas para atalhar esse caminho e atingir estágios mais desenvolvidos de bem estar e felicidade.

 

Eu, pelo menos, tento ser coerente. Assumo minha herança ocidental com todos os seus erros e acertos, sem negá-los ou omiti-los, mas tampouco sem demonizá-los, enquanto santifico ou omito erros iguais ou piores das forças contrárias aos meus valores. Faço uma escolha assumida, cartesiana e justa por aqueles que defendem os valores de Democracia e Liberdade em que acredito. Simples assim. “

 

“Z”   respondeu  da seguinte  forma:

 

Cuba “fortemente armada”??? Só de brincadeira! Quando um país, como é o caso de Cuba, tem uma porção do seu território ocupado, em Guantanamo, por uma potência imperial, os EUA, ilegalmente, pergunto-me: como é possível? Por igual razão, o Iraque de Saddam foi invadido e atacado quando tentou ocupar o Kuwait. E depois, os EUA e o tal “Mundo Livre” (a Europa, a prestar-se ao papel de serventia dos EUA) criticam a ocupação da Crimeia, um território que era Russo e que só por um gesto irresponsável de Krutchov foi “atribuído” à Ucrânia…enquanto República constituinte da URSS, convém não esquecer a História e os fatos reais.

 

China imperialista? Podemos comparar os atos praticados pela China – no plano externo, com as inúmeras violações do Direito Internacional por parte dos EUA? Não podemos, tendo em conta os exemplos que te citei: Hiroshima, Nagazaki, Cuba, Chile de Pinochet, Argentina dos Generais, Ditaduras do Brasil, Honduras, Guatemala, El Salvador, Granada (esta do Reagan é chocante e pateticamente cómico-trágico, um minúsculo pobre país a ser invadido pelos EUA!), Panamá, Síria, Líbia, Irão em 1953 (para lá colocarem o criado deles, o Xá, com os resultados que sabemos, anos depois), o terem permitido que o Portugal de Salazar se tornasse membro da NATO (quando deveria ter sido isolado), o Vietname, o Laos, o Camboja, o apoio às ditaduras da Indonésia, o apoio ao regime inqualificável Saudita e ao da pústula que é Israel, a praticar o genocídio sistemático na Palestina.

 

Rússia? O acordo que foi feito, entre Washington e Moscovo, após a queda da URSS, era que a Nato poderia abarcar toda a ALE unificada, mas que nenhum outro país de Leste integraria a Nato. Os EUA aceitaram, mentindo, e hoje a NATO cercou a Rússia, na sua zona geográfica ocidental. E se fosse ao contrário, com a Rússia a cercar os EUA, através do Canadá e México? É uma atitude provocatória e imperialista abjecta, por parte dos EUA. E desonesta do ponto de vista político. A Rússia, convém não esquecer, é hoje um país cercado pelos EUA. Reagem por conseguinte em função dessa atitude imperial norte-americana.

 

Irão????? Estamos a brincar? O Irão NÃO é uma ameaça quer a Israel, quer a quem quer que seja! E os EUA sabem disso muito bem. Ao mesmo tempo que pressionam o Irão a não ter armas nucleares, que não têm intenção de as fazer apesar da propaganda norte-americana, é Israel quem as possui (providenciadas pelos EUA!) e se recusa a subscrever o Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares, que Teerão aceitou subscrever (!), porque quer ficar a salvo e poder utiliza-las um dia. Ou seja, os EU, a França, o Reino Unido, a China, a Rússia, o Paquistão (sede de terrorismo), a Índia, Israel, a Coreia do Norte, podem ter acesso e produzir armas nucleares, mas outros não! Esse tipo de armamento deveria pura e simplesmente ser dissolvido! Ponto!

 

Síria? Líbia? Iraque? Afeganistão? Eram países que tinham expurgado os excessos islâmicos, onde as mulheres eram livres, não obrigadas a usar os tais véus, e hoje o que vemos? Países sem uma administração estatal, à mercê de milícias, destruídos política e militarmente, sucumbindo economicamente, sem proteção social, sob fogo, com o “Estado Islâmico” a banquetear-se no seu território e tudo aquilo num caos completo! Com a única exceção de parte da Síria, só parte, graças à intervenção Russa, caso contrário os EUA teriam destruído esse mesmo resto. Não se combatem esses regimes da forma como fez o imperialismo norte-americano, mas com diplomacia e sanções economias. E isolamento político. Nunca destruindo-os militar e politicamente. Como sucedeu.

 

Quanto à Arábia Saudita, meu caro, é indefensável! Se alguém a defende, merece o meu desprezo. É um regime sem qualificação. Que, todavia, é aliado dos EUA e de…Israel! O que acontece atualmente no Iémen, desestabilizado por Riad, é lamentável. Mas, Washington fecha os olhos a isso. Às atrocidades que ali estão a ser cometidas!

 

E ainda essas fantasias dos "horríveis bolivianos, cubanos, venezuelanos". Como se Cuba andasse a destabilizar a América Latina. Como se os EUA não estivessem estado por detrás dos vários golpes de estado por esse Continente, nos idos de 80 do Séc. passado.

 

Até parece que essa América Latina, nesses países que mencionas, passaram a ser uma espécie da sinistra Coreia do Norte, face aos apoios cubanos e sei lá que mais!  Nada disso!

 

A informação, meu caro, nos dias de hoje, é global, instantânea. E está nos livros que se publicam, nos artigos, nas opiniões que se escrevem, por aí, pela América Latina, por cá etc. Quem quiser saber o que se passa em Portugal, ou no Brasil, ou nos EUA, ou no Japão, ou nas Honduras, no Iraque, etc, hoje é fácil! Basta só ler o que sobre o nosso país, sobre os outros, se diz, nos "media", nos artigos de opinião, etc, etc.

 

Paulo César: separa-nos um Mundo abismal! Do ponto de vista político, econômico, social e de política externa. Digamos que te considero de extrema-direita.

 

Respondi da seguinte forma, para finalizar o assunto:

 

“Creio que realmente  vivemos  em  mundos   abissalmente  distantes,  sobretudo  em termos  geopolíticos  quando  insistes  em  apontar  apenas  o  imperialismo  americano,  negando  a  obviedade  gritante  de  similares  ou  piores  atitudes  por  parte  dos  outros,  que  por  miopia  e/ou  conveniência  omites  ou  negas: eu,  pelo  menos,  ao contrário de ti, não  refutei nem questionei nenhum, - nem  me  interessa  essa  via, pois confesso minha absoluta incompetência profissional  e de vivência prática de tais assuntos – não trabalho, nem nuca atuei no campo das Relações Internacionais – para esmiuçar com profundidade temas que são indigestos para quaisquer das partes beligerantes. Gostaria  de  deixar  isso  bem  claro, pois parto do princípio de que  todos  os  adversários - da mesmíssima forma que casais em litígio -, inclusive EUA e Israel, se têm mostrado igualmente beligerantes. No entanto, ignoraste todos os exemplos que mencionei que desmascarem uma visão convenientemente maniqueísta do mundo, como provavelmente  ignoras ou negas o  Imperialismo  Chinês no  Tibete (provavelmente  deves  imaginar  que  eles  ocuparam à  força  um  país  para  venerar  os  lamas  budistas  do  país  e  para  preservar  o  Palácio  de  Potala  da  sanha  imperialista  usurpadora do  Dalai  Lama...queres  que  ria  ou  que  chore?), como ignoras ou negas a  presença  maciça  e  bem  conhecida  de  tropas  cubanas  em  Caracas, como ignoras ou negas o  mais  do que agressivo expansionismo  russo  na  Ucrânia como parte da retomada pelo V. Putin do sonho histórico  - momentaneamente frustrado após a Queda do Muro de Berlim - de uma Grande Rússia  continental, como ignoras  o  conflito  com a  Turquia, por exemplo, e qualquer outro conflito que tenha envolvido os países que defendes  e  provavelmente  deves  imaginar  em  tua  ânsia  de  esconder  o  belicismo  de  qualquer  país  que  não seja  aliado  dos  Estados  Unidos  ou  de  Israel, que  a  corrida  nuclear  do  Irã  e  da  Coreia  do  Norte, que culminaram com vários testes atômicos no Pacífico devem ser  apenas  fogos de artifício carnavalescos, como em qualquer grande cidade brasileira....  devo  rir  ou  chorar? "En passant",  inútil seria arguir que a potência nuclear desses dois países é ainda infinitamente inferior à  dos  States, graças  a  Deus,  pois,  se  considerarmos  que  apenas  dois  aviões  fizeram  o  estrago  que  tanto  aplaudes,  havemos  de  convir  que  a  possibilidade  nuclear, em  países  párias  e com líderes ditadoriais e teocráticos ou insanos, como é o caso desses  dois, por mínima que possa ser, representaria mais uma  catástrofe mundial, embora não ignore nem negue que todas as demais, sob qualquer bandeira ou ideologia, também o tenham sido.

 

Quanto aos horríveis bolivianos, venezuelanos e cubanos que citas, corrijo-te mais uma vez. Nada tenho contra o pobre povo venezuelano, boliviano e cubano. Muito pelo contrário, morro de compaixão por eles, por serem tão vilipendiados, oprimidos, saqueados em sua Liberdade de ir e vir e em seus sonhos de bem estar e prosperidade e condenados a uma vida de miséria e de carestia, graças à tirania e à ganância de ditadores vis, esses sim, horríveis, sinistros, cruéis, ambiciosos e sanguinários e o que mais de trevoso quiseres inventar, podes acrescentar.

 

Quanto a Cuba estar a "desestabilizar a América Latina" (nas tuas palavras), discordo novamente. Bem que eles tentaram e tentam desesperadamente, via Unasul/foro de S. Paulo, mas, com a graça de Deus e Fé em todas as Forças da Luz, JAMAIS irão conseguir. Admiro-me muito que alguém tão bem armado em argumentos para atacar apenas os países que odeia desconheça fatos concernentes à existência da Unasul/Foro de S. Paulo de Castro/Chavez/Lula, comprovada em cartório e sabida por qualquer cidadão razoavelmente informado que viva em países livres e democráticos, principalmente por que hoje em dia, como tu mesmo dizes: "A informação, meu caro, nos dias de hoje, é global, instantânea. E está nos livros que se publicam, nos artigos, nas opiniões que se escrevem, por aí, pela América Latina, por cá etc. Quem quiser saber o que se passa em Portugal, ou no Brasil, ou nos EUA, ou no Japão, ou nas Honduras, no Iraque, etc, hoje é fácil! Basta só ler o que sobre o nosso país, sobre os outros, se diz, nos "media", nos artigos de opinião, etc, etc." Mas, provavelmente, quererás negar ou omitir fatos por demais comprovados e sabidos, ou então imaginar na tua visão provavelmente distorcida pelo  ódio assumido aos States, que são tudo criações e fantasias criadas e plantadas pela besta satânica do Imperialismo Americano. Deixa-me rir, antes que morra de tanto chorar!

 

 

De forma que, SIM. Perante tal postura, como estamos a assumidos anos-luz de distância em questões ideológicas e ambos certamente respeitamos a posição do outro, e, sobretudo, por que todas as questões, nesse âmbito, certamente já ficaram suficientemente claras, ficar a repeti-las "ad infinitum" soaria a algo como papo de loucos, pela  absoluta  falta de  sentido, destituído de qualquer finalidade racional e que sinalizaria apenas a intenção de uma lavagem cerebral, algo que com certeza ambos não desejamos.

 

 

A propósito, se por extrema-direita chamas a quem se posiciona favorável à defesa dos valores ocidentais, então sim, chama-me dessa forma, se preferires. Não me ofendes em absoluto, pelo contrário, me honras. Mas, se por conveniência chamas de extrema-direita a quem apoie ou defenda os Estados Unidos, gostaria de lembrar-te que há muitos ocidentais e até liberais e capitalistas que não defendem os States - pelo menos eu conheço vários - mas, nem por isso se alinham com os adversários deles. Embora, volto a ressalvar, em meu entendimento, direita e esquerda sejam termos que deveriam ser aplicados apenas a quem defende teorias econômicas baseadas no Capitalismo ou Liberalismo, como preferes, ou no Socialismo e seus derivados, até para não aumentar ainda mais a imensa confusão já existente entre esses dois termos.”   

 

 

Já no campo das ideologias políticas e econômicas, “Z” defende as seguintes posições:

 

“Sou um tipo essencialmente de Esquerda. E totalmente contra as práticas capitalistas do Neoliberalismo atual, que vem destruindo as nossas sociedades. Recentemente, acabei de ler livros de três autores que muito respeito e admiro: Noam Chomsky, Yanis Varoukakis e o terceiro foi o reler de um livro e do seu autor, O Homem Unidimensional, de Herbert Marcuse (um livro que cá possuo em casa e que já tinha lido há uns anos).”

 

 

“Voltando de novo à forma como vejo a Política, para mim só existem duas posturas: ou se está do lado dos desfavorecidos, ou do lado oposto, ou seja, contra e, neste caso do lado do Capital, daquele capital destrutivo, como o capital financeiro dos dias de hoje, das multinacionais que fogem aos impostos (para os tais paraísos fiscais) e exploram quem trabalha para eles (com o apoio dos governos corruptos que com elas colaboram – muitos deles nos ditos países civilizados). Eu prefiro sentar-me a comer uma refeição ao lado de um pobre, do que de um banqueiro.”

 

“Portanto e resumindo, meu caro Paulo Cezar, para mim, uma boa política é aquela que vai de encontro aos interesses dos mais fracos, social e economicamente, que pratica uma política fiscal progressiva e justa, que faz o rico pagar mais e o pobre menos, que faz chegar a Educação/Ensino, Saúde, grátis, a todos e possui uma Justiça ao alcance de todos e não só para quem a pode pagar, que não deixa ninguém sem um teto, que possui uma administração do Estado que controla os excessos do grande setor privado, como, por exemplo, na vida laboral e respectivas leis, por forma a defender os trabalhadores, uma administração estatal que não aceita pagar dívidas aos bancos corruptos e pelo contrário controla a sua atividade especulativa com mão de ferro, etc.”

 

Contra-argumentei da seguinte forma:

 

 

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“Com relação às ideologias políticas que professas, acredito que meus piores receios se tenham concretizado, pois, pelos teóricos, filósofos e sociólogos que confessas admirar (Marcuse e Chomsky) imagino que possas ter simpatia de fato pelo marxismo. Se eu estiver errado, peço que me perdoes a conclusão que pode parecer precipitada.

 

Se, no entanto, te baseias na falácia do tal socialismo nórdico que deu certo, sugiro que leias os artigos dos links que abaixo te envio. Qualquer divergência, talvez seja melhor tentares discuti-las com os autores:

http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/sao-paises-nordicos-socialistas/

http://www.espacoacademico.com.br/087/87pra.htm

http://professormoroni.blogspot.com.br/2014/06/10-fatos-sobre-o-modelo-nordico.html

http://rodrigoconstantino.com/artigos/o-mito-da-escandinavia-como-sucesso-do-welfare-state/

 

Mas, se eu tiver feito a dedução correta de teus ideais, com isso de repente me fizeste transportar a uma ideologia teoricamente sedutora, e até intelectualmente brilhante em alguns casos - embora, com todo o respeito, confesse que nesse terreno prefira o mundo mágico de Lewis Carroll, e, muito particularmente o personagem do Gato de Cheshire, com suas tiradas filosóficas impagáveis, de quem sou fã ardoroso - que teve seu berço e epicentro na Europa de um século atrás (para ser preciso, até um pouco antes) e que ocasionou acalorados embates ideológicos na primeira metade do século passado, mas, que se tornou inócua, obsoleta e frustrante pela absoluta inutilidade prática, comprovada na sua aplicação.

 

Como não citas o modelo prático que admiras (Rússia? China?, Cuba? Coreia do Norte?Venezuela?), imagino que prefiras ater-te ao mundo das ideias. E, honestamente, no mundo das ideias, até compartilho em parte das tuas preocupações sociais. Só que acredito que seja possível minorá-las (jamais solucioná-las, devido às muitas limitações da já citada precária condição humana, neste Plano Físico que compartilhamos) por outras vias, talvez mais práticas e comprovadamente mais eficazes, como apontam todas as estatísticas e indicadores econômicos, que não me deixam mentir.

No sentido Econômico eu me definiria como alguém radicalmente direitista (ou seja, aquilo que provavelmente defines como neoliberal,  embora  não tenha  muita certeza  se usamos  a  mesma definição para tal termo: afinal temos a distância de um largo oceano a separar-nos e isso pode  fazer a diferença com relação a alguns detalhes significativos na compreensão dos termos, por mais que a língua seja comum), no sentido de que não vislumbro nenhuma opção melhor do que a livre iniciativa e a liberdade de mercado para levar as nações à melhor condição de bem estar e progresso, mas jamais um direitista radical, pois provavelmente assim como tu, sou avesso ao capitalismo selvagem e seus derivados e acredito em formas eficazes de chegar o mais próximo possível da Justiça Social. TALVEZ, até compartilhemos alguns pontos de vista sobre o assunto, embora provavelmente cheguemos a resultados parecidos ou similares, por vias diversas.”

 

"Estimado “Z”, em meu ponto de vista (mas, enfatizo que esta não é uma opinião própria e muito menos exclusiva), o capitalismo, ou o neoliberalismo, se preferires, mesmo em suas vertentes mais nojentas e pervertidas como o capitalismo selvagem, mesmo concordando contigo que haverá poucas instituições mais perversas do que os bancos e as multinacionais, ainda me parece ser a alternativa menos danosa e nociva, ou pelo menos a mais benéfica, se for feito um acareamento justo com os demais sistemas econômicos, que leve em conta não apenas todas as imperfeições, mas também os benefícios auferidos. Estamos num Plano ainda de Expiação, em lentíssima transição para um Mundo de Regeneração, cujo alvorecer apenas se prenuncia em nosso horizonte, daí a ainda extrema precariedade e injustiça de nosso sistema financeiro, que necessita - e certamente o será, num futuro próximo – ser reformulado e aperfeiçoado, e certamente colocar freios à usura e à ganância das multinacionais e das Instituições Financeiras é uma prioridade; esse é o meu credo, como espiritualista e crente numa Harmonia Suprema inteligente e infalível que transcende a nossa vã compreensão, que sou e que em nome disso crê também num lento ciclo evolutivo da Humanidade em direção à Luz e à Justiça”

 

“Não posso dizer que discordo no essencial do que acreditas e concordo inteiramente com vários pontos que defendes: 1) fazer o rico pagar mais e o pobre menos 2) fazer chegar a Educação/Ensino, Saúde, grátis, a todos e possuir uma Justiça ao alcance de todos e não só para quem a pode pagar, que não deixa ninguém sem um teto, 3) que possua uma administração do Estado que controle os excessos do grande setor privado, 4) que não aceite pagar dívidas aos bancos corruptos e pelo contrário controla a sua atividade especulativa com mão de ferro.

Talvez apenas tenhamos uma noção de pesos e medidas um tanto ou quanto diferentes, particularmente no que tange  à maior ou menor participação estatal em todo esse processo e discordo frontalmente da frase  “uma boa política é aquela que vai de encontro dos interesses dos mais fracos social e economicamente” ; no meu ponto de vista uma boa política é aquela que respeita e usa a seu favor a ambição humana, estimulando-a como a força motriz que gera o progresso, para depois impor-lhe limites e redistribuir a riqueza gerada em forma de benefícios sociais básicos (Saúde, Educação, Transportes, etc...) que respeita e incentiva a iniciativa privada e premia o esforço e a competência dos mais hábeis, mas tendo sempre em mente o equilíbrio e a justiça, tanto para quem mais se esforçou, ou foi mais capaz (que, sem dúvida merece ganhar mais), quanto para os menos hábeis, ou menos esforçados, ou menos favorecidos (que, embora ganhando menos e proporcionalmente ao seu esforço e competência, merecem ter uma vida digna e distante da miséria e da pobreza extrema).

 

No entanto, assim como tu, prego sim, na parte final do processo econômico, mecanismos de contenção à usura, à ganância e à cruel distribuição de renda, tanto entre pessoas quanto entre países, mecanismos esses já fartamente citados em correspondência anterior. Só que, diferentemente de ti, penso que tais mecanismos devem ser estipulados democraticamente e postos em prática primordialmente pela Sociedade e não por uma elite estatal, pois é um tanto utópico acreditar que as pessoas pertencentes ao Estado possam ser mais sábias e mais bondosas (“anjos” nas palavras do Economista, Prêmio Nobel, Milton Friedman) do que as restantes outras. E não é exatamente isso que se observa ou se observou nos regimes fortemente estatizados.

 

A mesma linha de pensamento se aplicaria também nas relações entre países mais fortes e mais fracos economicamente. Não há como impedir que os mais aptos e mais hábeis, até dentro do mesmo bloco econômico, sejam mais prósperos e ofereçam um bem estar maior a seus cidadãos e que os menos hábeis paguem por escolhas econômicas e financeiras errôneas, o que não significa que não possa haver um tratamento humanitário e tolerante por parte dos mais fortes e competentes, e, sobretudo, significa também coibir a usura desmesurada, a atividade especulativa, os abusos e a selvageria do sistema financeiro e das multinacionais. É necessário que exista sempre bom senso e um justo equilíbrio para ambos os lados. Mas concordo contigo que ela nem sempre existe e a ganância por vezes prepondera, graças ainda à precariedade das nossas instituições financeiras e aos por vezes incipientes mecanismos de controle de tais instituições, volto a repetir . E, finalmente, implica em coibir os ganhos desumanos e exorbitantes do capital, sem dúvida, através de uma correta política fiscal e tributária e da justa redistribuição de renda. Algo próximo do modelo capitalista com fortes tintas sociais, adotado pelos países nórdicos (no entanto, capitalista na essência e diferente do socialismo, acredito eu, e, com certeza, léguas distante de qualquer coloração marxista), mas provavelmente com mais leveza no Welfare State e menos peso na máquina estatal.

 

“Z”  voltou  à  carga  dizendo  o  seguinte, sobre o mesmo tema:

 

“Paulo, acreditar que a iniciativa privada, deixada à rédea solta, nos irá trazer o bem-estar social e económico e acabar com as injustiças, é o mesmo que acreditar que um islâmico renunciará à sua religião e aderirá, por exemplo, ao catolicismo. Ou que é possível passarmos a viver na Lua, dentro em breve, tal como se vive na Terra.

 

Nenhum capitalista, mas nenhum, tem qualquer tipo de preocupações de ordem social. É tão só o lucro que o move. Nada de errado, desde que o Estado esteja atento aos seus eventuais excessos, como despedir selvaticamente, não pagar a segurança social de quem trabalha para ele, não deixar que o capitalista fuja às suas responsabilidades fiscais, etc.

 

Uma sociedade, embora com uma economia de mercado, para ser justa e tornar essa justiça social extensiva a todos, designadamente aos mais desfavorecidos, tem de ter no topo um Estado e um Governo que controle esses tais excessos, inevitáveis se deixarmos o sector privado, sobretudo as grandes empresas, à solta. O mesmo para a Banca privada, esse cancro das economias atuais (longe vãos tempos em que os bancos tinham uma prática e comportamentos diferentes, menos especulativa e com maior respeito pelo cliente e depositante).

 

Invocaste Milton Friedman. O fato de ser um Prémio Nobel de Economia não lhe dá qualquer crédito. Bem sabemos como funcionam hoje e desde há muitos anos as atribuições dos Prémios Nobel, na Economia (e até na Literatura, embora aqui com menos escândalo). Friedman é um Neoliberal, um defensor dessa teoria econômica e, nesse sentido, merece, como todos os neoliberais, o meu mais profundo desprezo. Quem prefere e defende os interesses do Capital, da forma como ele o advoga nos seus livros, propondo soluções que visam sacrificar os mais débeis econômica e socialmente e mesmo a classe média, é um traste! Um ser ignóbil. Que é o que a múmia paralítica do Friedman é! Ponto! É gente que está do lado de sabujos como Gerge W Bush e quejandos! Está tudo dito.

 

Pergunto-te: preferes um banqueiro ou um pobre? Como encaras quem passa fome ou quem tem uma reforma de miséria, um salário de exploração, enquanto outros têm vida de estadão? É justo esse tipo de desigualdade? É cristão haver tanta miséria e simultaneamente tão poucos a acumular riqueza e até a poderem escondê-la em paraíso fiscais?”

 

Voltei a contra-argumentar dizendo o seguinte:

 

 

 

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Concordo inteiramente contigo, naquilo que falas no primeiro parágrafo e concordaria com tudo no segundo, se substituísses a palavra, Estado, pela correta palavra: Sociedade. Concordo também com alguns pontos que falas no resto, como, aliás, já deixei isso bem claro nos “mails” anteriores e expressei exatamente o mesmo ponto de vista, talvez em palavras diferentes das tuas; talvez só venhamos a divergir na questão de pesos e medidas a serem adotados, sobretudo “no que tange à maior ou menor participação estatal em todo esse processo”. Creio que a iniciativa privada não deve ser tolhida e deve valer-se da brutal força da ambição para gerar o máximo de riqueza às nações e sou contra o abuso de estatizações, que em meu entender deveriam restringir-se aos serviços básicos – Educação, Saúde e Transportes, basicamente – e mesmo assim quando se mostrarem eficazes.

 

Como também já deixei claro, defendo  “algo próximo do modelo capitalista com fortes tintas sociais, adotado pelos países nórdicos, mas provavelmente com mais leveza no Welfare State e menos peso e poder de intervenção da máquina estatal.”  Fico feliz que tenhas admitido, finalmente e sem repulsa, a possibilidade de uma economia de mercado nos moldes do liberalismo, algo que, dentro do que acredito, é condição “sine qua non”  incial para o êxito de qualquer sistema econômico. Assim sendo, repudio inteiramente o marxismo, que considero uma teoria que foi brilhante cem anos atrás, mas que se revelou um traste obsoleto inútil e danoso na sua aplicação prática - não só por Stalin e Lenine, mas em qualquer outro local onde tentaram torná-lo viável - e, desde sempre, um sério instrumento de atraso no almejado caminho da prosperidade das Nações. E, com toda a sinceridade, não tenho tempo a perder com teorias fracassadas, pois prefiro estar do lado dos vitoriosos, daqueles que com suas ideias e sua inteligência ajudam a Humanidade (e isso inclui proteger os pobres, fracos e desfavorecidos, TAMBÉM, deixo isso BEM  CLARO) a progredir e gerem bem estar a todos e riqueza suficiente para atender de forma justa as necessidades de todos. 

 

Quanto às tintas sociais que levem em conta a justiça a todas as classes sociais (e não apenas os mais fracos e desfavorecidos, a diferença pode ser sutil , mas é essencial) e premiem os mais esforçados e competentes e quanto aos mecanismos de contenção que citas, creio ser algo que concordamos, portanto, e provavelmente sem muitas restrições, desde que sejam justas para todos, o que pensei também já ter deixado claro em “mails” anteriores.

 

Discordo inteiramente da tua concepção sobre Friedman, e respeito, mas creio que nisso é mais do que transparente que muita gente discorda, também, pois o simples currículo do cara já o credencia.

 

Quanto às perguntas que fazes no último parágrafo, acho que seria mais justo direcioná-las às pessoas que lideram nações que seguiram ou seguem a ideologia que dizes admirar, a marxista. Afinal, tanto a Rússia quanto a China, abandonaram há muitos anos a ideologia arcaica que pregas e adotaram o liberalismo econômico, com resultados bastante alentadores e até admiráveis, no caso da China. A China é hoje em dia conhecida como o país mais capitalista do mundo,  http://www.cultseraridades.com/biografias-detalhe.php?id=252&DENG+++XIAOPING   pela liberdade que é dada ao capital, desde que dirigida sob a égide única do Partido Comunista Chinês. Já na Rússia, o partido governamental, Rússia Unida, continua concentrando todos os poderes – embora alguns outros partidos, inexpressivos, sejam admitidos - mas abandonou um regime que asfixiou seu crescimento por quase um século e adotou a reversão econômica, passando de um modelo estatizante baseado na propriedade coletiva dos meios de produção e no planejamento econômico centralizado para um sistema oposto, o do Capitalismo, “laissez-faire”. Será que esse povo andou lendo esse tal Friedman que tanto desprezas? Que coisa, não é? Já os que continuam seguindo os cânones do marxismo, exibem em geral os péssimos resultados que todos sabemos. Creio que ambos, por experiências diversas, te darão respostas muito mais eficazes e contundentes do que qualquer argumento que eu possa usar.

 

 

Para finalizar, quanto à pergunta que me fazes sobre se prefiro um pobre ou banqueiro, responder-te-ei da seguinte forma: não prefiro nenhum, ou melhor, prefiro ambos! Como espiritualista e reencarnacionista que sou, não vejo distinções essenciais entre seres humanos, baseadas na cor, credo, raça, sexo ou condição social que momentaneamente os revista. Visualizo cada ser humano como seres espirituais vivenciando experiências materiais e visualizo diferentes estágios evolutivos entre cada ser humano, mas nenhum desses estágios tão marcante que permita estabelecer diferenciações maniqueístas substanciais, neste Plano, que condene uns e santifique outros, ou que me levem a preferir um em detrimento do outro.

 

Até por que as desigualdades que justificadamente citas não existem apenas como um apêndice vergonhoso e prova inequívoca da imperfeição do sistema capitalista deixado selvagemente à solta, e, justo por isso, reconheço sim a necessidade imperiosa de regular a ganância e a usura das grandes multinacionais e dos “tigres” do sistema financeiro capitalista. No entanto, ressalvo que as injustiças existem também onde houver a dominação tirânica de uma elite governamental sobre as restantes pessoas. Ou seja, não são apenas os “capitalistas” que  podem ser acusados de não ter qualquer tipo de preocupação social, como afirmas. Ou ignoras as luxuosas “dachas” da elite governamental da antiga URSS e a fortuna escorchante da oligarquia dos Castros, apenas para apontar os mais notórios e para nem mencionar as fortunas amealhadas por alguns políticos de Poder e por determinados dirigentes latino-americanos?  Que “preocupação social”  é essa, quando a restante maioria das pessoas das nações lideradas por essas pessoas vivia ou vive na carestia? Que hipocrisia é essa?

 

 

De forma que tais desigualdades estão longe de serem exclusivas de um único sistema econômico. Na verdade, são muito mais uma consequência da extrema precariedade moral do ser humano, muito principalmente quando se vê com acesso ao poder. E alguém já pontuou com exatidão o quanto o Poder corrompe.

 

Vivemos todos num Plano de Expiação ainda bastante primitivo, cumprindo um Caminho sem dúvida Evolutivo, mas lentíssimo e secular, em que todos, sem exceção, sofremos de uma ou de outra forma, pela precariedade de nossa condição humana. Sofremos pela ignorância ainda gritante em todos os níveis de conhecimento, pela ausência de moral e de ética, pelo nosso egoísmo, pelo orgulho, pela ambição e por todas as imperfeições que carregamos e pelas péssimas escolhas que ainda fazemos em nome dessa precariedade. 

 

Por isso, enxergo qualquer ser humano como membro integrante dessa  condição precária comum e todos como consequência de suas escolhas individuais e coletivas, nesta ou em outras vidas. Assim sendo, e respeitando meus modestíssimos limites, defendo qualquer tipo de ser humano - a começar por mim próprio, obviamente - contra a injustiça, a tirania e a opressão, seja ela oriunda de atos de outros seres humanos, individual ou coletivamente, ou de modelos econômicos e/ou sociais perversos e/ou equivocados. Por isso, perante o ainda incipiente aprendizado e da prática da Lei do Amor e da Fraternidade, em seu sentido pleno, algo que dissolveria como num passo de mágica grade parte das diferenças que levam ao ódio e suas consequências – pelo menos as mais danosas e extremadas – e que jogaria por terra por inteiro, pela sua absoluta inutilidade, toda essa nossa discussão ideológica. Uma discussão que, no entanto, ainda se revela fundamental, por estarmos muito distantes de tal condição, e, por isso, advogo a defesa de qualquer ser humano, individual ou coletivamente, e, dentro das minhas limitações como ser humano e pelo ainda insuficiente conhecimento de que disponho, tento fazer as escolhas que acredito serem as mais adequadas, ou pelo menos as menos nocivas e sofridas. 

 

Posto isso, creio que devemos ter encerrado convenientemente, pelo menos por agora, o capítulo que confronta as nossas ideias em Ideologia Econômica.

 

Esse é o meu credo!

 

 

 

 

 







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