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08/11/2016

Artigo de Gustavo Iopsche publicado na Revista Veja, edição 2493 – ano 49 - # 35, de 31 de agosto de 2016

O QUE HÁ DE ERRADO CONOSCO?


O QUE HÁ DE ERRADO CONOSCO?

 

 

Há dois anos, exatamente em 31/08/2014, ainda antes da fatídica reeleição de Dilma Rousseff que sinalizou clara e inapelavelmente o caos que já se avizinhava do país e o turbilhão de lama que veio em seguida, publiquei neste mesmo site um artigo denominado “Um secador de cabelo no meio do caminho”

 

(http://www.cultseraridades.com/resenhas-detalhe.php?id=142&Um+secador++de++cabelo++no++meio++do++caminho...... )

 

 

 

Tive a grata surpresa de ver quase os mesmos pontos de vista por mim defendidos nesse artigo de 2014, em um artigo de Página Aberta do Economista Gustavo Ioschpse, publicado na Revista Veja, edição 2493 – ano 49 - # 35, de 31 de agosto de 2016 (por coincidência, ou não, exatamente dois anos após a data do meu artigo). Pela similaridade dos pontos de vista, reproduzo agora na íntegra o citado artigo:

 

O  QUE  HÁ  DE  ERRADO   CONOSCO?

 

 

 

Na noite em que Dilma Rousseff foi deposta pela Câmara dos Deputados, eu estava comemorando na Avenida Paulista. Quando Lula foi nomeado ministro, também lá estava eu, em sinal de indignação. E nas outras passeatas desde o ano passado, em todas eu estive, nas pequenas e nas gigantescas. Digo isso para que você não ache, caro leitor, que tenho alguma simpatia por esse governo catastrófico, prestes a ser defenestrado pelo nosso Senado. Ou que faço qualquer reparo à legalidade do processo de impeachment. Não. Apoio este impeachment de corpo e alma. Assim como apoiei o de Fernando Collor, e fui um dos caras-pintadas que também saíram às ruas naquela época.

 

Receio, porém, que no contexto polarizado e raivoso da nossa política, o impeachment tenha gerado uma sensação inebriante de vitória que nos cegue para os fatos mais importantes do parágrafo acima. A saber: pouquíssimos países tiveram presidente deposto por um impeachment, e nenhum teve dois, muito menos no espaço de uma geração. Nossos presidentes impedidos diferem em quase tudo: um era de direita, a outra de esquerda. Um era home, a outra, mulher. Um de partido nanico, a outra do partido com maior militância no país. Um no primeiro mandato, a outra já reeleita. Só há dois pontos de ligação entre a trajetória de Collor e a de Dilma: ambos foram eleitos por voto popular e ambos foram derrubados por escândalos de corrupção.

 

Essa sucessão de eventos não deveria estar nos gerando um reconfortante “o que há de errado com eles?” sobre aqueles que não pensam nem votam como a gente, mas sim um “o que há de errado conosco?”. Por que somos o único país em que presidentes da República são impedidos por corrupção, não apenas uma vez, mas duas? Precisamos fazer essa introspecção. Crises são dolorosas demais para que passemos por elas desperdiçando a oportunidade de entender o que deu errado.

 

Está em voga no Brasil praguejar contra políticos. Se acreditarmos nas narrativas de comentaristas de bar e até de formadores de opinião, os políticos são a nossa escória. “Não nos representam”. Parece que são aliens que invadiram nossas casas do poder à força. Eis o problema: eles foram eleitos. Em muitos casos, reeleitos. De forma que me ocorrem quatro alternativas para explicar sua investidura: ou os seus eleitores não sabem que eles são corruptos, ou sabem, mas não há candidatos honestos disponíveis, ou não se importam com a corrupção ou, finalmente, gostam de corrupção e preferem corruptos.

 

Sobre a possibilidade da ignorância/desconhecimento, posso até aceitar que alguns de nossos políticos sejam ingratas surpresas, que se renderam ao canto da sereia depois da primeira eleição, após uma vida íntegra. Mas há um número por demais expressivo que refuta essa hipótese: gente que sabidamente tem, digamos, uma relação estremecida com a ética e os bons costumes e, apesar disso, é eleita e reeleita. Pense em Paulo Maluf. Em Renan Calheiros. Em Eduardo Cunha (“em Fernando Collor, acrescentaria eu,  por  exemplo”). Em muitos dos mensaleiros. Mesmo que o sujeito seja analfabeto e não veja o noticiário todo dia, não há como não saber que essas pessoas estão enroladas há décadas.

 

Se você disser que não há opção melhor, que são todos assim, pense bem. A Câmara, por exemplo, tem 513 deputados. Nas últimas eleições, houve 7018 candidatos para essas vagas. Será que não havia entre esses mais de 7000 candidatos meros 513 honestos? Claro que havia, mas não foram eleitos. Pense nas eleições para prefeito de sua cidade. Existe uma chance alta de que haja um candidato comprovadamente honesto. E uma chance ainda maior de que esse candidato não esteja liderando as pesquisas. O que nos leva à inescapável conclusão: para os eleitores brasileiros, mau-caratismo não é fator eliminatório na escolha de seus candidatos. Quero crer que não apoiamos alguém porque a pessoa é corrupta. Simplesmente não nos importamos bastante com esse critério.

 

O que nos leva à segunda e dolorosa conclusão: os corruptos nos representam. Somos assim. Queremos tirar vantagem. Desde os pioneiros da nossa colonização, nossa visão sobre o bem público é algo a ser pilhado. A diferença entre o cidadão comum e o seu representante eleito não é de índole, mas de meios: se tivéssemos a oportunidade de roubar tanto quanto eles, também a aproveitaríamos. Caso você não conviva muito em sociedade e não tenha algumas centenas de exemplos da sua vida pessoal para ratificar essa impressão, há dados. No imperdível livro, “A cabeça do brasileiro”, pesquisa do professor Alberto Carlos Almeida, mostra que: só 44% de nós acham que é corrupção um funcionário público ganhar um presente de Natal da empresa que ele ajudou a obter um contrato do governo; 58% não acham corrupção ter um empréstimo em banco estatal liberado porque a pessoa tem um parente no governo; 74% concordam com a ideia de que “cada um deve cuidar somente do que é seu e o governo cuida do que é público”. Vivemos na terra do “salve-se quem puder”: 70% não confiam nem nos amigos; a taxa de confiança na maioria das pessoas é de 15%. A desconfiança é justificada, diga-se. No índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional, o Brasil fica em 76° lugar no ranking de seriedade, atrás não apenas dos países desenvolvidos, mas também de lugares como Botsuana, Ruanda, Gana e Mongólia. No teste da carteira perdida, em que alguém deixa propositalmente uma carteira com dinheiro e o contato do dono, dois terços dos moradores do Rio de Janeiro (única cidade brasileira que participou do experimento) embolsaram o dinheiro e não deram as caras. (as fontes de todos esses dados estão em twitter.com/gioschpe).

 

Sim, eu sei, há milhões de pessoas honestas no país que ficam indignadas com tudo isso. Faço parte do time. Mas é forçoso reconhecer que, primeiro, há mais gente sucumbindo à tentação do que mantendo a retidão e, segundo, os sérios não fazem o suficiente para alterar o quadro. Contentam-se com a própria seriedade e deixam a punição dos safardanas à providência divina.

 

A pergunta que se coloca urgentemente, antes que passemos por mais um impeachment, Lava-Jato ou Mensalão, é o que devemos fazer para mudar. A resposta mais óbvia, precisamos que os pais deem melhores ensinamentos e exemplos para seus filhos, é inexequível. Não podemos nos imiscuir na  maneira como pais se comportam em casa. As duas instituições-chaves do Estado (portanto, sob nosso controle) que precisam ser acionadas nesta luta são a escola e o Judiciário.

 

Apesar de todo o blá-blá-blá sobre formar cidadãos conscientes, nossas escolas ajudam na formação de patifes. Porque são, elas mesmas, instituições profundamente antiéticas. Alunos colam em quase todas as provas e os professores fazem vista grossa. Também, pudera: a maioria dos mestres também é aética. Falta às aulas, chega atrasada, não cumpre com suas obrigações profissionais. O professor médio brasileiro não está em condições morais de cobrar comportamento virtuoso de seus pupilos. A própria incompetência da nossa escola conspira contra a honestidade: o livro de Almeida mostra que, quanto mais instruída a pessoa, mais séria ela tende a ser.

 

Mas sem dúvida nosso problema mais importante está na Justiça. Até ao “mensalão”, a sensação de impunidade, de um Judiciário leniente com os poderosos e draconiano com os ladrões de galinha, era compartilhada por todos. De lá para cá, e especialmente agora com a Lava-Jato, mudamos o paradigma, e é possível acreditar que a exceção vire regra. Mas o sistema joga contra. São amplos recursos, embargos e medidas protelatórias que fazem com que os casos menos célebres morram na vala comum da prescrição. Ainda não assimilamos a máxima de que “justice delayed is justice denied”: justiça atrasada é justiça negada. A mera expectativa de um processo infinito e custoso faz com que contratos valham pouco mais do que papel de embrulhar pão e se transformem no adubo que nutre os picaretas. Precisamos fortalecer e agilizar nosso Judiciário, melhorar e endireitar nossas escolas. Não vamos a lugar nenhum enquanto a vida pública for habitat de salafrários e, na vida privada, ser ético for sinônimo de otário.

 

 

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