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TELEGRÁFICAS URGENTES
06/07/2017

Por Olavo de Carvalho

ASCETAS DO MAL


ASCETAS DO MAL

 

 

 

 

 

 

Enquanto heróis da saga revolucionária, Che Guevara e Osama Bin Laden assemelham-se em pelo menos um ponto essencial, no qual sua auto-imagem se confunde com sua imagem pública. Quero dizer que algo que eles acreditam piamente de si mesmos coincide com algo que sua platéia acredita piamente a respeito deles.

 

Como todas as vidas de revolucionários modernos, sem exceção, as desses dois compõem-se essencialmente de um auto-engano pessoal transfigurado em lenda mundial, pelo efeito amplificador da propaganda, seja a propaganda organizada da esquerda militante, seja a propaganda informal da mídia simpática.

 

A crença pessoal a que me refiro e que ambos expressaram abundantemente, por atos e palavras, não se tratando aqui de uma interpretação minha, mas da simples constatação de um fato, é a seguinte: exatamente como os heréticos da seita do “Livre Espírito” estudados por Norman Cohn em The Pursuit of the Millennium, um e o outro acreditam-se tão profundamente, tão essencialmente identificados a uma causa superiormente justa e nobre, que mesmo seus pecados mais flagrantes e seus crimes mais hediondos lhes parecem resgatados, de antemão, pela unção incondicional de uma divindade legitimadora. Pouco importa que essa divindade seja, num deles, só informalmente teológica (a história, o progresso, a revolução), e, só no outro, expressamente teológica. Em ambos os casos há o apelo a uma fonte suprema da autoridade que consagra o Mal como Bem.

 

Não é que se coloquem acima do bem e do mal, no sentido da amoralidade aristocrática do super-homem de Nietzsche ou do “amoralista” de Gide. Ao contrário: identificaram-se de tal modo com o que lhes parece o Bem, que mesmo o Mal que praticam se transfigura, a seus olhos, automaticamente em Bem.  Atingiram, enfim, a seus próprios olhos, o estágio divino da impecabilidade essencial. Daí que, neles, coexistam sem maiores problemas a total falta de escrúpulos e a prática costumeira da violência criminosa, com uma fé perfeitamente sincera na própria bondade – santidade até -, implícita em Guevara, ostensiva em Osama Bin Laden.

 

E nada de confundi-los, por favor, com o farsante vulgar, o santarrão de opereta. Este é cômico, porque nele os traços incompatíveis são mantidos juntos pela solda bem frágil da hipocrisia. No fundo, ele tem consciência da sua falsidade e, pego de jeito, pode ser desmascarado perante si mesmo. No “herói” revolucionário, a mentira existencial tomou por completo o lugar da consciência, numa espécie de sacrifício ascético. A divindade macabra, ante cujo altar se consuma esse sacrifício, responde então ao postulante: ao contrário do mentiroso comum, que se enfraquece pela falsidade da sua posição, o asceta do Mal ganha redobrado vigor a cada nova abjuração da verdade, tornando-se no cume da sua antirrealização espiritual, capaz de projetar hipnoticamente sua imagem sobre as multidões.

 

Daí uma segunda semelhança: no paroxismo do culto idolátrico, militantes e simpatizantes chegam a ver em seus ídolos presenças divinas ou ao menos proféticas. Expressando uma convicção coletiva bem disseminada hoje em dia, Frei Betto nivelou ostensivamente Che Guevara a Jesus Cristo, e Arnaldo Jabor denominou Osama de Maomé II.

 

 







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